WORKSHOP PLAYBACK THEATRE - SLEILA DÔNIO

Estamos promovendo esta oporunidade por entendermos que o PLAYBACK THEATRE  tem nos apresentado como um recurso artístico-pedagógico-terapêutico na construção dos papéis profissionais, especialmente de terapeutas. A Trupe Encontrarte de Playback Theatre realizou vários espetáculos sendo possível confirmar o quanto este teatro contribui para o desenvolvimento de recursos pessoais e interpessoais, da espontaneidade-criatividade, de todos que dele participam. Tanto os atores quanto a platéia se transformam ao vivenciar as tecnicas utilizadas para a representação das estórias narradas. Os narradores têm a oportunidade de re-editar suas estórias e os atores,que no palco as representam,se transformam na medida que de improviso, certificam-se de todo o seu potencial no palco da vida.
Sheila Dônio é uma atriz de Playback da escola do seu criador, Jonathan Fox, em Nova Iorque. A nosso convite traz a possibilidade de a Trupe Encontrarte agregar novos atores e especialmente amplia as possibilidades de desenvolvimento de habilidades e recursos a todos que se interessarem por treinar seu potencial espontâneo, criativo, de improviso e auto-conhecimento.

AS INSCRIÇÕES ESTÃO PRORROGADAS ATÉ O DIA 10 DE JUNHO.
NO DIA 15/06, SÁBADO, ACONTECERÁ DE 14 AS 19H  E NO DIA 16/06, DOMINGO, DAS 9 AS 14H.

Sobre os Teatros... Transformando a vida em arte!


                              

   Correlações históricas e ideológicas dos TEATROS                                                                   
                 
                   (por Dolores Maria Pena Solléro – Pscodramatista)
 
Proponho-me neste texto, sintetizar dados históricos e organizar outras informações, objetivando oportunizar possíveis correlações históricas e ideológicas dos teatros, para a melhor compreensão das suas funções terapêutica, social e política e especialmente, contextualizar  o Playback Theatre, reconhecendo-o em seu valor sócio-terapêutico.
A partir do teatro aristotélico o teatro evoluiu em sua forma e ampliou sua função. Atualmente novas propostas teatrais compõe o cenário artístico- cultural e social, inclusive numa perspectiva de intervenção sócio-educativa. Assim como nos referimos, com propriedade, às Psicologias, entendo que podemos  nos referir aqui, aos TEATROS.
Psicodramatista, reconheço em MORENO, Jacb Levy, um visionário da ciência social, mais especificamente, das relações humanas no mundo. Inspirou toda sua criação no teatro e reconheceu na arte de representar, um valioso instrumento e  meio de expressão, comunicação, interação, auto-conhecimento e de transformação pessoal, interpessoal e social.
            Moreno, médico romeno, filho de comerciante judeu, viveu, quando jovem-adulto, momentos de uma Europa agitada, de um lado por movimentos culturais vanguardistas, e de outro, por ações de líderes políticos inescrupulosos. Ele tanto pode apreciar o movimento do teatro, quanto deparar-se com as difíceis decorrências de uma sociedade assolada por guerras. Quando adolescente saiu da Romênia, tendo assistido a grave crise econômica do seu país, e na juventude, em Viena, onde estudou medicina, as condições de vida  também eram precárias, com sérios problemas de saúde pública e moradia, alto índice de alcoolismo e prostituição. Neste cenário o jovem médico, propôs trabalhar com grupos de prostituta e de refugiados da primeira grande guerra mundial, buscando ajudá-los a enfrentarem as dificuldades sociais e a recuperarem suas dignidade. Moreno utilizou-se da arte dramática, do teatro, para atingir estes objetivos. As situações vivenciadas naquele contexto social eram discutidas e representadas por atores espontâneos participantes dos vários grupos; Moreno dirigia os teatros.        
As questões humanitárias e sociais, sempre sensibilizaram Moreno e ele encontrou no haissidismo e na filosofia de Martin Buber suportes mítico e filosófico para todo seu trabalho. A horizontalização da relação homem-Deus, pela doutrina hassídica, promoveu definitivamente o encontro entre Moreno e Buber ; o homem foi concebido não apenas como criatura, mas como centelha viva do criador. A visão de um Deus punitivo e dicotômico era negada. Por outro lado, do ponto de vista político,  o homem era considerado produto do processo criativo.
Neste cenário sócio-político destaca-se, também pela sua sensibilidade, como o filófofo(Buber) e o médico(Moreno), o teatrólogo, dramaturgo, Bertolt Brecht. Buber e Moreno viviam em Viena e Brecht na Alemanha pré-nazista, e os três comungavam as mesmas idéias. Moreno e Brecht mudaram-se para os EUA onde se encontraram, enquanto que Buber foi ajudar na construção educacional do então, recém formado Estado de Israel. Os três, em todos os países por que passaram, procuraram meios para a formação ideológica de homens e mulheres,  para que pudessem se  reconhecer e serem reconhecidos como produtores-criativos de suas próprias histórias, e não mais como produtos de.
           “Buber fala de duas formas básicas pelas quais se pode influenciar na formação da mente e na vida dos outros. Na primeira impõe-se a atitude e opinião de alguém sobre outrem. Na segunda, o indivíduo descobre e alimenta na alma do outro aquilo que reconhece em si como certo. Aquilo que deve estar bem vivo no outro, como uma possibilidade entre possibilidades uma potencialidade que apenas precisa ser expandida, não por meio da instrução, mas por meio do encontro, da comunicação existencial, entre aquele que encontrou a direção e aquele que a está buscando”.(Fonseca, 1980:31)(Psicodrama da Loucura). Moreno e Buber partilharam suas ideias na perspectiva deste Encontro, conceito central da teoria moreniana. Moreno refere-se poeticamente ao Encontro:
“Um encontro entre dois: olho a olho, cara a cara
E quando estiveres perto arrancarei teus olhos
E os colocarei no lugar dos meus
E tu arrancarás meus olhos e os colocará no lugar dos teus.
Então te olharei com teus olhos
E tu me olhará com os meus”.
Moreno e Brecht se encontraram na perspectiva do teatro. Brecht ocupava-se das questões políticas da época e contestou o teatro tradicional, aristotélico, em que a plateia participava como meros espectadores (produtos).O teatro de Bretch trouxe para o público, a reflexão, promovendo os “espectadores” para agentes de transformação política e social; do teatro da época conservou o palco, os atores e o texto. Bretch evidenciou a função política, social e estética do teatro.
Assim como Bretch, Moreno buscou um teatro que possibilitasse à plateia uma transformação. Ambos acreditaram na possibilidade de criar um espaço para a reflexão desta plateia e que esta fosse igualmente útil para a vida destas pessoas. Contestaram um teatro que desprezasse a capacidade crítica da plateia.
            Moreno pretendeu fazer teatro com o objetivo de trazer em cena as questões sociais as quais oprimiam as pessoas, oportunizando o resgate de suas subjetividades. Optou inicialmente pelo lúdico, a partir de suas brincadeiras com acrianças nos jardins de Viena, onde as quais podiam recriar suas estórias. Com os seus grupos de adultos desenvolveu o trabalho teatral a partir de textos construídos pela plateia. A partir destas vivências estabeleceu as premissas para um novo teatro: deveria haver apenas produções exclusivamente espontâneas, sem qualquer ensaio e sem texto prévio. E assim criou um teatro interativo, cuja caracterísitica básica era o improviso. Criou o teatro da espontaneidade –“Stegreiftheater”, com o qual valorizou a transformação pessoal. Desta maneira evidenciou a função terapêutica do teatro. Moreno então pedia à plateia que contasse suas histórias para que o seu grupo de atores espontâneos as encenassem.   Nesta mesma época o Império Austro-Húngaro passava por momentos de grande instabilidade política com o assassinato do Arqueduque Francisco Ferdinando e o trono estava vazio. Retratando esta situação política, no teatro em Viena, Moreno fez acontecer uma noite célebre, a noite do “Trono vazio”, em que ele adereçou uma cadeira como trono, colocou uma coroa em cima e pediu à plateia que viesse a se colocar no papel do rei, por uns instantes. Uma proposta instigante e irreverente, capaz de "levantar" a plateia. O teatro da espontaneidade repercutiu polemicamente nos jornais da época: “isso era ou não era teatro?” “As cenas eram ou não preparadas previamente; seriam de fato encenadas espontaneamente, de improviso?”
O “caso Bárbara”,  em que Bárbara, uma esposa que, por representar no teatro de Moreno, novos papéis e personagens, modificou o seu comportamento em casa e cuja mudança passa a ser observada e valorizada pelo marido,caso clássico da literatura moreniana, também nos remete à estória  do teatro da espontaneidade sendo-lhe atribuído, definitivamente, a função  terapêutica. É quando Moreno fundamenta e cria o Psicodrama, um teatro espontâneo voltado para o tratamento das pessoas, dos grupos. Moreno é também o criador da psicoterapia de grupo  e de outras modalidades de teatros espontâneos tais como: Sociodrama, Jornal vivo, Axiodrama e Psicodrama Público.
Do teatro de Bretch os teatros espontâneos mantiveram o instrumental básico, sendo que todos do grupo passaram a ser considerados atores, sujeitos criativos.
Moreno criou várias técnicas para facilitar o processo  psicodramático, para a formação e condução das cenas e para facilitar o desenvolvimento e treinamento da espontaneidade.
Do teatro da espontaneidade ao Psicodrama, Moreno refere-se à díade espontaneidade–criatividade como pilares da teoria psicodramática, compreendendo-a como indicativo de saúde mental. Com a Teoria dos Papéis, Moreno pretendeu operar na dimensão psíquica e não apenas social no teatro espontâneo. Os papéis Moreno conceituou como “a unidade de expressão do eu ou da conduta  humana”, e os categorizou em: Papéis psicossomáticos (dimensão fisiológica), Papéis Psicodramáticos (dimensão psicológica) e Papéis Sociais (dimensão social). Nessas novas funções, o papel (do teatro convencional) fundiu elementos privados, sociais e culturais, uma fusão de elementos particulares e coletivos. O conceito de papel pressupõe relações com o outro e relações com o ambiente e portanto implica na existência de um “contra-papel” ou “papel complementar”. A identidade humana constrói-se a partir das relações estabelecidas entre os papéis e aqueles, os quais complementa, ou seja, constrói-se a partir dos  “vínculos” vivenciados. A representação dos papéis, nos teatros espontâneos, se dão a partir da caracterização dos personagens. Os atores, ou egos auxiliares (no psicodrama) se oferecem a serviço do protagonista (o que traz a cena).
A teoria moreniana propõe vários outros conceitos referindo-se a aplicabilidade do psicodrama, cuja  função terapêutica pode ser correlacionada à psicodinâmica, mais especificamente, na clínica. Muito mais tarde foi criado o Psicodrama bipessoal, envolvendo apenas um diretor (terapeuta) e o cliente (protagonista).
Assim como Brecht e Moreno, na antiga Europa, Augusto Boal destaca-se no cenário cênico brasileiro, muitas décadas depois , nos anos 60, também por  buscar o desenvolvimento de uma crítica social a partir do teatro, considerando-o  possibilidade de mudanças sociais para todos que dele participam. Nesta época, era o Brasil em crise, marcado pela Revolução de 31 de março de 1964, quando foi instaurada a ditadura militar no país. O novo governo promulgou Atos Constitucionais (AI-5) fortalecendo o poderio dos presidentes-militares e enfraquecendo a democracia. Artistas, intelectuais e políticos sofriam perseguições; os grupos teatrais deixavam as cidades e recolhiam-se nas periferias. Boal, recém-chegado dos EUA, dirigiu o teatro de Arena de São Paulo, adaptando as teorias de Stanislavysky à realidade brasileira. Agora era Boal que assistia, nos finais da década de 70, o “trono vazio”: tiraram o presidente para colocar um ditador. Boal assim como Moreno, ocupou-se com a função social e terapêutica do teatro; o objetivo principal do teatro seria fazer o público repensar a realidade social e reformulá-la para que, de espectadores, passassem a assumir o seu real papel, o de sujeito de transformação social. Boal criou o “Teatro do Oprimido”, entendendo a sociedade dividida entre opressores e oprimidos.
Para Boal(1977:46): “”...todo mundo atua, age, interpreta. Somos todos atores. Até mesmo os atores. Teatro é algo que existe dentre de cada ser humano e pode ser praticado na solidão de um elevador, em frente a um espelho ou numa praça pública para milhares de espectadores. Em qualquer lugar...”
            Também como Moreno, Boal prioriza a interação da plateia; como Brecth conserva o texto, sendo que este, após ser encenado, pode ser modificado a partir do envolvimento da plateia com aquilo que foi trazido pela cena. Ao levantar-se da cadeira (de espectador), subir ao palco e mudar o final da peça, estará sendo capaz de repensar sua realidade e de reformulá-la. Nesta  abordagem o teatro não é revolucionário em si mesmo, mas pode vir a ser uma preparação para uma revolução social. O teatro do oprimido foi fundado em pressupostos pedagógicos encontrados na Pedagogia do oprimido de Paulo Freire e em síntese, é uma forma de teatro onde através da improvisação os atores apresentam-se e representam livres e espontaniamente. Etimologicamente o termo espontaneidade provém do latim, spontaneus, que significa “fazer algo por livre vontade”.
Para Moreno (1984:129) “o improviso é o antídoto para a era das máquinas, um remédio para o robô. Seu objetivo é sacudir homens e mulheres, tirando-os da rotina de uma existência padronizada, confrontando-os com o inusitado e com o inesperado de situações que os despertem para uma urgência natural criativa”. 
Contemporaneamente a Boal, nos EUA, e também como Moreno, Jonathan Fox e sua esposa Jô Salas criaram o Playback Theatre;  nos anos 70, valorizaram da mesma forma o improviso e a espontaneidade. O PLAYBACK THEATRE  é um teatro  improvisado a partir das estórias que são narradas por pessoas da plateia - o narrador, e estas são representadas por um grupo de atores. Os atores da Trupe, o condutor e a plateia co-constroem um verdadeiro espetáculo de emoções, buscando transformar a vida por meio da arte. No playback os recursos estéticos são importantes assim como a música; é um espetáculo artístico e terapêutico. É uma forma e oportunidade para as pessoas reeditarem suas cenas(estórias), reconhecerem-se protagonistas de suas próprias vidas, e de valorizarem potencialidades e talentos  individuais e no grupo (família,  trabalho,  sociedade...). É um instrumento que se propõe para a inclusão social.
Jhonatan Fox reconheceu a genialidade de Moreno, formou-se psicodramatista,  e obteve da esposa de Moreno, Zerka, grande incentivo para o desenvolvimento deste teatro.
Nas décadas posteriores psicodramatistas como Moysés Aguiar, Camila Gonçalves, entre outros,  dedicaram-se a escrever e divulgar a aplicabilidade do teatro espontâneo como intervenção sócio-educativa, valorizando a função sócio-terapêutica do teatro.
Do PBT outras variações do teatro foram possíveis como o Teatro de Criação, desenvolvido por Albor Vives Reñones  e atualmente são muitas as trupes e  teatros.

CURSO DE INTRODUÇÃO AO PSICODIAGNÓSTICO INFANTIL



A Psicóloga Karina Cunha Carneiro de Castro ministrou o curso para um grupo de psicólogos e estudantes de psicologia. O grupo validou a proposta do curso em prol da formação de psicoterapeutas, e este resultado promove novas possibilidades para os interessados. Aguardem módulos seguintes! 
O ENCONTRARTE agradece e parabeniza a iniciativa da facilitadora e a responsabilidade e zêlo pelo fazer PSI do grupo!

Mais um espetáculo de Play Back Theatre: "Nossas crianças...Nossas estórias" - Venha resgatar sua criança interna junto às crianças de hoje: elas dão um espetáculo de espontaneidade! Ingressos em número limitado!!!

Workshop: “Pedaços de mim” – Oficina de Expressão Corporal - Facilitador: Evanderson - Processamento: Dolores


No Psicodrama enfatiza-se a importância de se trabalhar o corpo, considerá-lo instrumento de fala e compreensão – de si (terapeuta) e do outro (cliente, grupo) - na medida que  Moreno elege a ação como o princípio para o fim: o da transformação, a partir da catarse de integração. Com a dramatização (que se realiza com a palavra, corpo, movimento, emoção, imaginação e criatividade) pretende-se a catarse; no psicodrama a catarse de integração distingue-se da catarse ativa  por oportunizar corpo, mente e emoção se integrarem a favor da compreensão do próprio cliente/grupo, libertando-o dos conflitos, e não se referindo  apenas à liberação de emoção. O protagonista (aquele que traz a cena) quando no grupo, oferta a todos o seu drama e a co-construção deste drama o possibilita re-editar-se, mudar, (“dá pano pra manga”) e propulsiona a mudança no/do grupo. A co-construção refere-se a sincronização do grupo, ao conceito de Tele que segundo Moreno refere-se ao verdadeiro encontro, à mutualidade e reciprocidade de escolhas e sentimentos. A co-construção desenvolve e possibilita o re-fluir da espontaneidade : uma resposta nova  para cada nova situação ou uma resposta nova para antigas situações, àquelas que  podem se repetir e que à nova resposta aplica-se a noção de adequação.
Na oficina de expressão corporal a co-construção realizou-se a partir das consignas dos variados jogos dramáticos e teatrais em que cada movimento, esculturas corporais, gestos e palavras foram proporcionando ao grupo a expressão de sentimentos, “dramas”, a experimentar suas novas possibilidades e mudanças através do corpo.  
Ampliando e favorecendo a diferenciação e integração do perceber, sentir, pensar e fazer, as expressões corporais possibilitaram mudanças, transformações pessoais e construção de conhecimento.
Dos jogos emergiu a protagonista do grupo. O psicodrama foi dirigido e os egos-auxiliares, já suficientemente aquecidos, foram facilitando a compreensão e integração da protagonista dos seus “pedaços”.  Utilizou-se especialmente a técnica inversões de papéis.
O foco foi mantido no objetivo da oficina: expressão corporal.
Valorizou-se as leituras das imagens corporais ampliando a integração corpo-sentimento-imaginação-criatividade e propiciando auto-conhecimento: “estou assim quando...” e “quando estou assim me sinto...”.
Evidenciou-se a importância do estar centrado para estar atento: “manter os olhos num foco” facilita a percepção  dos vários estímulos que acontecem simultaneamente. Analogamente podemos dizer que “a escuta não se faz apenas através dos ouvidos e que é preciso “esvaziar a mente para escutar-se por inteiro”.
No último jogo, a  consigna foi: “observe e traga para o grupo um objeto da sala, ou da área externa, que represente o seu sentimento na oficina”.
No  compartilhamento  final deu-se então, lugar aos sentimentos vivenciados durante a oficina. Concluiu-se pela integração, harmonia e sincronicidade do grupo. Os objetos/sentimentos remetiam-se aos “Pedaços de mim” e o desejo de integrá-los.
Foi dado um momento para além dos sentimentos quando o grupo expressou suas  analogias e considerações do experienciado no “aqui e agora” e no seu cotidiano. Um processamento que não pretendeu-se teórico mas vivencial , tratando-se de uma oficina de expressão corporal.
Muitas conexões teóricas foram favorecidas:
·         “a segunda vez é libertadora” : à medida que o grupo ia usando o corpo o mesmo ia sendo libertado – maior alongamento, ousadia, coragem... Moreno concebeu a cena psicodramática como “a segunda vez”, a realidade suplementar.
·         “a co-construção”: referindo-se ao conceito de Tele Moreniano  e como Ségio Perazzo a compreende – tele = co-construção.
·         Quanto as técnicas psicodramáticas:
ü  Espelho: os gestos e posições do corpo iam sendo “imitadas”; nas esculturas foram sendo substituídas pessoas de forma que “de fora” se vissem como que no espelho,  parte da escultura.
ü  Maximização: movimentos e esculturas “amplificavam” sentimentos e palavras.
ü  Concretização: a partir da percepção tátil criou-se esculturas corporais, individuais e grupais, “concretizando” as sensações, percepções e sentimentos experimentados.
ü  Representação de papéis: nas esculturas e imagens corporais as pessoas se colocaram no lugar de sentimentos: medo, força interior, movimento...
ü  Inversão de papéis: no psicodrama a protagonista e seus “sentimentos” iam invertendo seus lugares e dialogando.

A oficina de expressão corporal confirma-nos, pelos “resultados”, até  porquê estes são imensuráveis: o corpo fala e quando em ação grita e se contido adoece e nos faz morrer.

“Escuto-me através do meu corpo, acordado , conectado, e ele me diz:  VIVA!” 
(Dolores Pena) 

O que é PSICODRAMA?

                                                                                       
O PSICODRAMA é um método, “um caminho para chegar a um fim”. Método distingue-se de técnica, “uma maneira de fazer alguma coisa”; evita-se assim um comum equívoco.    
Atribui-se este vocábulo para indicar um vasto campo de conhecimento criado por Jacob Levy Moreno. É um método sócioterapêutico aplicado a grupos, indivíduos e em vários contextos - clínico, organizacional e educacional. Prioriza a AÇÃO e esta é composta por aspectos verbais (semânticos e sintáticos), afetivos e gestuais.
Operacionaliza-se a partir de instrumentos:
1.       Protagonista,
2.       Ego-auxiliar,
3.       Diretor,
4.       Platéia e
5.       Palco.
O palco psicodramático é o espaço cênico, o lugar onde acontece a recriação do drama, as cenas psicodramáticas. O protagonista é o indivíduo que oferece o drama ao grupo, este considerado a platéia. Os ego-auxiliares são os participantes do grupo que se dispõem a representar os personagens e a desempenhar os papéis nas cenas. O diretor exerce funções variadas referentes à estruturação das cenas, à atenção ao protagonista e ao grupo por inteiro, nas diferentes etapas do psicodrama. Inspirado no teatro observamos as semelhanças dos termos utilizados.
O método  processa-se em etapas –“ do começo para o fim”:
1-Aquecimento (inespecífico e específico): quando o grupo se organiza e prepara-se para a ação. Deve acontecer do superficial ao profundo e da periferia para o centro. Localiza-se os temas e as dinâmicas do grupo.Oportuniza-se o tempo de aproximação e percepção no grupo.
2-Dramatização: A cena é o principal núcleo operativo. Esta etapa inclui a investigação, para montagem das cenas, a elaboração, objetivando a resolução, compreendida como a “abertura” a possibilidades; o re-fluir da espontaneidade.
3-Sharing ou compartilhamento: quando cada um compartilha o que sentiu, em que ponto foi tocado pela dramatização; cada um trará a sua verdade ao espaço dramático, sem julgamento de valores . Evita-se a racionalização.
4-Processamento:  inclui aspetos técnicos e teóricos. Moreno considera o aluno parte ativa do seu processo de aprendizagem; nesta etapa processa-se a aprendizagem afetivo-cognitiva.
Com o propósito de sistematizar a proposta e o conhecimento moreniano na contemporaneidade alguns estudiosos utilizam-se do termo SOCIONOMIA para designar a “ciência das relações sociais” em substituição ao termo PSICODRAMA. Esta substituição gera polêmica entre os psicodramatistas. Para além desta questão o Psicodrama compõe a SOCIATRIA, a qual inclui também o sociodrama e a psicoterapia de grupo. Basicamente, o psicodrama se diferencia do sociodrama  em função do foco do trabalho; no primeiro foca-se  num indivíduo (o protagonista) e no segundo, no próprio grupo. Na perspectiva sociodramática várias são as possibilidades interventivas, à exemplo o jornal-vivo. A Socionomia inclui a SOCIOMETRIA, ciência das relações interpessoais.
O método psicodramático inclui diversas técnicas sendo as tradicionais:
§  Solilóquio
§  Espelho
§  Duplo e
§  Inversão de papéis
Estas e outras técnicas compõem o que Moreno chamou de “Realidade Suplementar”, sobre a qual  escreveu: “...significa que há certas dimensões invisíveis na realidade da vida não inteiramente experimentadas ou expressas, razão por que temos de usar operações e instrumentos suplementares a fim de trazê-las para nossos quadros terapêuticos.” (Moreno,2006. pg.25)                  
Também pelo fato de o psicodrama ser um método de ação dizemos  que para saber o que é Psicodrama é preciso vivenciá-lo.
                                                                                         por Dolores  Pena  - Psicodramatista

Tudo acontece Aqui e Agora

“O momento é a abertura pela qual o homem passará em seu caminho.” J.L.Moreno



Com o propósito de tornar conhecido o PSICODRAMA  como método e abordagem sócio-psicoterapêutica iniciaremos por enfatizar os princípios fundamentais do pensamento de Jacob Levy Moreno, seu criador.O faremos na perspectiva teórico-vivencial a começar pela Filosofia do Momento, enfatizando o aqui-e-agora.
                       
 FILOSOFIA DO MOMENTO
                Para Moreno o Psicodrama é “a ciência que procura a verdade através da ação dramática”.
Desde sempre ocupando-se com questões sócio-humanitárias Moreno evidenciou o grupo como agente de grandes transformações e, na arte dramática, no teatro, identificou os instrumentos necessários para facilitar grupos e indivíduos nesta perspectiva: a da transformação. Criou o teatro da espontaneidade e mais tarde o método sócio-psicoterapêutico valorizando o desenvolvimento da espontaneidade-criatividade como critério de saúde mental. O homem saudável é o homem espontâneo. Com a Sociometria valorizou as interrelações, as dinâmicas e os processos grupais, consistindo num instrumento fidedigno para análise e medida destas relações. Com a psicoterapia de grupo oportunizou o encontro de indivíduos partilhando um mesmo processo. Acreditou no ENCONTRO e poeticamente expressou seu pensamento:
“Um encontro de dois: olhos nos olhos, face a face.
E quando estiveres perto, eu arrancarei os teus olhos
E os colocarei no lugar dos meus,
E tu arrancaras os meus olhos
E os colocará no lugar dos teus,
Eu então o olharei com os teus olhos,
E tu me olharás com os meus.” (J.L.Moreno, Einladung zu einer Begegnung, fev.1914.)

O grupo, foco especial de sua atenção, oportuniza a co-criação, onde e quando indivíduos se encontram consigo mesmos e com o outro e que a partir das interações, através da ação, re-organizam-se, e novas possibilidades se tornam possíveis e inevitáveis. As “conservas” são resignificadas (consideradas dialeticamente necessárias ao próximo ato criador). Os indivíduos no grupo reconhecem-se agentes transformadores e nisto consiste o principal objetivo da ação dramática. No grupo descobre-se o valor da própria experiência grupal para criar novas possibilidades de/para ser no mundo. Por isto estudar e ensinar o Psicodrama será possível uma vez que se considere a teoria da prática.
A filosofia do momento constitui-se a pedra fundamental da teoria para a ação psicodramática.
O aqui-e-agora é o foco da ação ainda que no psicodrama também o passado e o futuro se contracenam. A prontidão, a presença, é fator essencial na estruturação das cenas sócio-psicodramáticas; é a “cena” que  estrutura o drama no Psicodrama e acontece no aqui-e agora.
“...o espaço cênico é uma extensão da vida além dos limites do teste de realidade da vida em si. A realidade e a fantasia não estão em conflito, sendo ambas as funções pertinentes a uma esfera mais ampla, o mundo psicodramático de objetos, pessoas  e eventos.”( Moreno, 1992)
A Filosofia do Momento, segundo Moreno, refere-se à ocorrência de três fatores em determinado “momento”, representando três ângulos de um mesmo processo, os quais devem ser enfatizados: LOCUS, ESTATUS NASCENDI e MATRIZ.
Aqui tratando-se de fundamentar a ação psicodramática e entendendo que é a teoria do momento que subsidia a estruturação da cena no Psicodrama, consideramos que: o Locus refere-se ao grupo de fatores condicionantes em que uma resposta - num determinado momento - foi criada; o Status Nascendi refere-se ao momento específico em que é estruturada(desenvolvida) a resposta, e a Matriz é a resposta específica pela qual a pessoa optou no momento e a qual, por repetição (transferência), corresponderá a angustia, a dor existencial ou a queixa da pessoa. O conceito de Matriz refere-se a “lugar de acontecimentos fundantes” e portanto é o “lócus nascendi”. Em termos gerais nenhuma “coisa” existe sem seu lócus, não há lócus sem seu status nascendi nem status nascendi sem sua matriz.
Estes três fatores, interrelacionados, é que deverão ser investigados para a estruturação da cena sócio-psicodramática; a matriz será sempre o foco. Investigar o “para que” a resposta foi criada é também importante. Esta resposta poderá estar contida em sentimentos, sensações ou valores e por isto são utilizados articuladores temporais(quando), ideativos(o que) ou corporais (tensão, dor) que conduzem a outras cenas estruturadoras da resposta (matriz).
                A função da cena sócio-psicodramática é propiciar uma saída libertadora do conflito (matriz), ou seja, promover uma resposta nova a uma situação antiga, ou ainda, uma nova resposta a nova situação. A esta capacidade de “adequação da resposta”, Moreno chamou Espontaneidade ou fator “e”. E a esta referiu-se como catalisadora da criatividade (“substância primeira de todo ser vivo”). A Espontaneidade-criatividade privilegiam o momento da criação –aqui-e-agora.
                 “A espontaneidade só funciona no momento de seu surgimento, assim como, falando metaforicamente, se acende uma luz numa sala e todas suas partes se tornam claras. Quando se apaga a luz a estrutura básica da sala continua sendo a mesma e, no entanto, desapareceu uma qualidade fundamental.” (Moreno,1974, p136)
                A partir desta investigação o diretor do Psicodrama conduzirá o protagonista, os egos- auxiliares e o grupo na dramatização e posteriormente ao compartilhamento. Nos grupos didáticos inicia-se a análise dos conteúdos da dramatização na etapa do processamento.
                O método psicodramático consiste nas seguintes etapas:
1-Aquecimento inespecífico
2-Aquecimento específico
3-Dramatização
4-Sharing ou compartilhamento
5-Processamento
Sintetizando, a aplicação do método é tão importante quanto a teoria que o subsidia.  A ação dramática favorece aos indivíduos e ao grupo o entendimento e a riqueza do momento: é vivenciando o status nascendi da experiência grupal, participando com honestidade, que recriam seus modelos relacionais, que distinguem a experiência emocional individual da dos outros e que também se reconhecem agentes transformadores dos demais.
Para compreender a teoria é preciso vivenciar o psicodrama, em que o diretor, os egos auxiliares, o protagonista e a platéia vivem cada momento como parte de uma criação conjunta em que os significados coconscientes e coinconscientes se articulam, em que o humano e o divino se contracenam, no aqui-e-agora, a favor de novas possibilidades de ser no mundo.
A filosofia do momento de Moreno fundamenta todo o percurso dramático enfatizando a interação teórico-prática para a compreensão do Psicodrama, onde(aqui) e quando(agora) o mesmo acontece.
                                                              
                                                                                                  por Dolores Pena - Psicodramatista
   
Referência bibliográfica:
BUSTOS, Dalmiro M.O Psicodrama: aplicações da técnica psicodramática. São Paulo.               
      Ágora, 2005.
PERAZZO, Sérgio. Psicodrama: o forro e o avesso. São Paulo. Ágora.2010